Messalina, um nome que chegou aos nossos dias, como sinônimo
de mulher lasciva e dissoluta. Mas quem foi essa Messalina?
Como se formou esse nome? Para entender o significado temo
de recorrer à história, para a vida de Valeria Messalina,
filha de uma rica família tradicional e aristocrática de
Roma, que casada aos 14 anos com Cláudio, tio do imperador
romano Calígula, se tornaria a mulher mais poderosa de Roma,
e uma das mais cruéis e ninfomaníacas personagens que a
história já registrou.
O alemão Siegfried Obermeier, autor de muitas biografias e
livros de divulgação histórica, traça o perfil desta mulher
em seu primeiro livro lançado no Brasil, Messalina, a
imperatriz lasciva, com uma impecável tradução, direta do
alemão, de William Lagos. Sua vida, sua ambição, sua
crueldade, tão famigerado pelos escritores latinos, como
Tácito, são retratadas de uma forma bem detalhista e
íncrível pelo historiador alemão, um dos maiores
conhecedores da Antiguidade Romana.
Bem diferente das versões hollywoodianas, como no filme
Demétrio e os gladiadores de 1954, onde a atriz Susan
Hayward dar a personagem Messalina uma versão romanceada e
boazinha do mito, que arrependida das traições que fizera ao
marido, reconhece não ter sido fiel, mas diz que isso é
coisa do passado. Reafirma ser esposa de César e promete
cumprir o seu papel. A Messalina de Obermeier é uma mulher
que viveu e cresceu em uma Roma rodeada por todos os lados
de intrigas, corrupção e sexo. Como seria o crescimento de
uma jovem em uma sociedade como aquela? Dizia até que seus
pais tinham uma escrava para poder dar prazer à menina.
Obermeier, em relação a sexualidade da trama, consegue fazer
até das cenas mais ousada, um misto de beleza e erotismo que
poderiam cair na pornografia, mas se sobressaem pela maneira
de que foram construídos.
Como terceira mulher de Cláudio, Messalina era o orgulho do
imperador, jovem, aconselhadora, o senhor de 50 anos que se
encantou com o doce pecado daquela adolescente, nem poderia
imaginar que sua jovem esposa era uma fêmea ninfomaníaca,
que até se disfarçava de prostituta – além de sair nas ruas
de Roma à cata de Roma, Messalina transformou um dos quartos
do palácio imperial em um bordel, onde cobrava taxa dos
clientes, uma mulher impiedosa que usava seu poder para
obrigar subordinados a realizar os seus desejos sexuais e
armava terríveis intrigas nos bastidores do governo, como se
fosse uma vice-imperador, fazendo de seu marido algoz de
diversas pessoas que lhe eram desagradáveis. Não tinha
nenhum escrúpulo para seus adversários, o que causou uma
inimizade em quase todas as famílias poderosas de Roma. No
final de sua vida, teria construído sua própria armadilha,
quando se apaixonou pelo cônsul Caio Sílio, cometeu o
sacrilégio de contrair o matrimônio bígamo com o senador em
uma cerimônia religiosa secreta.
Foi sua desgraça, seus inimigos forjaram um rosário de
queixas ao imperador, acusando até de complô e tentativa de
assassinato contra Cláudio, que por final a condenou a
morte.
O autor cria sua narrativa aos olhos daqueles participantes
oculares da história, dirigentes e pessoas comuns, em uma
narrativa magistral, com detalhes impecáveis da sociedade e
costumes da época – como as lutas de gladiadores, as grandes
encenações teatrais, as cerimônias religiosas e
principalmente o jogo de poder que conflitaram a história do
Império Romano.
Um romance histórico que diferente de muitos outros, não
aborda somente a face da personagem do título, mas também de
todos os envolvidos na história, caracterizando de uma forma
formidável. Para os que gostam de entretenimento, uma ótima
retratação, para aqueles mais exigentes, uma leitura de alta
qualidade, com até transcrições de poemas de Ovídio e
Virgilio.
Obermeier dar ao leitor um presente, a intimidade do Império
Romano, de forma limpa e real.